Rebeca Andrade faz história nos Jogos de Tóquio. Neste domingo, ela se tornou a primeira mulher do Brasil a conquistar dois pódios na mesma edição da Olimíada. A atleta da ginástica artística ganhou a medalha de ouro no salto. Antes, já tinha conquistado a prata no individual geral.

A façanha dela veio com dois ótimos saltos, um de 15.166 e outro de 15.000, alcançando a média de 15.083. Sua principal adversária, Jade Carey, dos Estados Unidos, foi mal no primeiro salto e ficou fora do pódio. O pódio foi completado por Mykayla Skinner, dos Estados Unidos, que ficou com a prata com 14.916 de média, e a sul-coreana Seojeong Yeo, que ganhou o bronze ao fazer 14.733.

Esta é a sexta medalha da ginástica artística brasileira na história olímpica, a segunda de Rebeca. As outras quatro foram de homens: Arthur Zanetti nas argolas (ouro em Londres-2012 e prata na Rio-2016), e a dobradinha no solo dos Jogos do Rio com Diego Hypólito (prata) e Arthur Nory (bronze).

Aos 22 anos, Rebeca vai se firmando como a maior ginasta do País na atualidade e tem chance ainda de conquistar mais uma medalha no Japão, pois disputa nesta segunda, às 5h57, as finais do solo, quando vai apresentar seu “Baile de Favela”, que já teve ótima aceitação na fase classificatória e também na final do individual geral.

Lesões

Rebeca Andrade ganha o ouro no salto nos Jogos de Tóquio. Foto: Lisi Niesner

Rebeca sofreu a primeira lesão em 2015 e foi no joelho, quando ela tinha 16 anos e finalmente pôde começar a competir entre as adultas. A dois meses do Pan daquele ano, disputado em Toronto, no Canadá, acabou sofrendo uma lesão no ligamento anterior cruzado e precisou ser operada. Perdeu também o que seria o seu primeiro Mundial.

Ela voltou a sofrer exatamente a mesma lesão em 2017, no treino de pódio do Mundial, e em 2019, no Campeonato Brasileiro, pouco antes do Pan. Nas duas vezes, precisou ser operada e passar por um longo e doloroso processo de recuperação, que durou cerca de um ano.

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Por causa dessas lesões, Rebeca não fez, nas duas grandes competições que havia disputado antes de chegar a Tóquio, o segundo salto na classificação, necessário para disputar a final do aparelho. Na Rio-2016, ela teve a quarta melhor nota no salto entre as participantes das eliminatórias. Com mais um salto burocrático para seus padrões, seria finalista. Mas o objetivo era estar inteira para a final do individual geral, onde teria chance de medalha.

Rebeca abriu com um show no salto, com nota menor apenas que Simone Biles (que seria ouro) e Aly Raisman (que seria prata), mas, depois, deixou-se abalar por uma falha nas assimétricas e acabou fazendo apresentações ruins na trave e no solo. Terminou a prova em um decepcionante 11º lugar.

Em 2018, no único Mundial que disputou até hoje, também brilhou no salto. Tirou 14,633 nas eliminatórias, resultado só superado por Simone Biles e pela canadense Shallon Olsen, que acabou medalhista de prata com 14,600 e 14,433. Notas piores que do melhor salto de Rebeca, que não fez o segundo salto e, por isso, nem tentou ir à final.

Superação

O ouro de Rebeca veio agora, disputando uma final internacional no salto. Mais do que isso: na primeira vez em que ela tentou se classificar para uma final de salto. Por causa desse histórico de lesões, ela sempre foi poupada de mostrar todo seu talento no aparelho. Agora, inteira de corpo e de cabeça, o potencial virou realidade.

Demonstrando muita força, talento e explosão, a ginasta chamou a atenção dos especialistas da modalidade e inclusive recebeu elogios de Nadia Comaneci, após ser prata no individual geral. Com a ausência de Simone Biles, que tem evitado competir para cuidar de sua saúde mental, Rebeca está nos holofotes da modalidade e já acumula dois pódios em Tóquio.

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Por Felype Oliveira

Felype Oliveira é criador do Café com Net, além de administrar a revista digital, também atua como social media, web designer e roteirista.

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