Marte é tão passado. Depois que a NASA anunciou em 2 de junho que lançará duas sondas para Vênus antes do final da década, a Agência Espacial Europeia (ESA) se juntou à festa selecionando o EnVision para outra missão orbital para nosso gêmeo envolto em nuvem, com data de lançamento em 2031. O EnVision de 610 milhões de euros é a mais recente missão de classe média no programa de ciências da ESA.

Em comparação com Marte, Vênus viu menos visitas de espaçonaves robóticas, mas o aumento do interesse nas mudanças climáticas e exoplanetas semelhantes à Terra levou os pesquisadores a perguntar por que Vênus é agora um forno de estufa escaldante com uma atmosfera de ácido sulfúrico, depois de começar tão semelhante à Terra.

O Venus Express da ESA, que operou de 2006 a 2014, ajudou a encontrar vestígios de oceanos antigos e vulcões ativos no planeta. Confirmar essas evidências é o principal objetivo da EnVision, afirma o cientista-chefe Richard Ghail, da Royal Holloway, da Universidade de Londres. “O padrão dos vulcões nos diz como o planeta funciona”, diz ele.

Embora haja alguma sobreposição nos objetivos e instrumentos das missões da NASA e da ESA, Ghail diz: “Elas se encaixam todas e, de certa forma, estão na ordem certa”.

O VERITAS da NASA fornecerá um mapa global detalhado da topografia do planeta, enquanto o DAVINCI + estabelecerá a “verdade terrestre” composicional lançando uma sonda de paraquedas na atmosfera. O EnVision fará o acompanhamento dando um zoom para entender como a atividade de superfície afeta a dinâmica atmosférica, diz Ghail.

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A espessa cobertura de nuvens de Vênus significa que as câmeras ópticas não podem ver muito, mas outros comprimentos de onda podem penetrar na escuridão. O EnVision usará um espectrômetro infravermelho para procurar pontos quentes na superfície que possam indicar vulcões ativos. Ele usará o radar para mapear a superfície, procurando sinais de fluxos de lava.

Os espectrômetros ultravioleta e infravermelho de alta resolução irão então procurar por vapor d’água e emissões de dióxido de enxofre, para ver se vulcões em chamas estão impulsionando a química das nuvens hoje.

Ghail acredita que as agências espaciais reconheceram que Vênus merece a mesma abordagem em camadas usada em Marte, onde missões de mapeamento global foram seguidas por observações mais direcionadas. “A descoberta da Venus Express de que pode haver vulcanismo”, diz ele, “tornou-o um lugar mais interessante para se estar”.

Publicado originalmente na ScienceMag.

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Por Felype Oliveira

Felype Oliveira é criador do Café com Net, além de administrar a revista digital, também atua como social media, web designer e roteirista.

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